Já são
33 anos de história. A ABD já é um
adulto, daqueles com carreira definida e família
pra cuidar. E é um adulto grande. Bem Grande.
Essa - que é a mais antiga instituição
cinematográfica brasileira - é também
a mais abrangente, presente em cada uma das 27
unidades da federação, com milhares
de associados espalhados por um país das
proporções do Brasil. Não
há quem negue, isso é uma grande
conquista.
Alguns dizem que a ABD
surgiu na Jornada da Bahia em 73. Outros contam
que foi no Rio de Janeiro. Mas isso quase não
importa, porque a certeza que todos têm é que
a ABD nasceu do empenho e da garra de uma gente
lutadora que queria projetar não só seus
filmes, mas também sua voz.
Inúmeros nomes fundamentais
para cinematografia nacional já surgiram a
partir do curta. Pela ABD já passaram dezenas
de bravos militantes que fizeram e fazem uma imensa
diferença na política do nosso cinema.
Essa é a real vocação tanto
do curta quanto da ABD: “fazer surgir”,
ser espaço para experimentação,
para o debate, para o ativismo e para a iniciação
de todos os talentos, os políticos e os
artísticos.
No começo eram mais documentaristas.
Hoje a ABD é repleta de gente que ousa fazer
documentário, curta-metragem e todo
tipo de cinema independente, num país onde
fazer cinema é sempre uma árdua aventura.
Já houve
momento na história do cinema nacional onde
o curta carregou sozinho a responsabilidade de
preservar a continuidade da produção
cinematográfica brasileira. E a ABD, de
uma forma ou de outra, sempre esteve junto de todos
os movimentos que incluíssem esse formato,
isso quando não se movimentou para que esse
formato tivesse assegurada a sua inclusão.
Por isso, durante um
bom período,
a ABD encontrou na Lei da Obrigatoriedade do Curta-Metragem
sua grande causa. Hoje a sua luta não pode
ser descrita numa só linha e a cada momento,
a cada nova ABD Regional que surge, a cada novo
abedista que se filia e a cada movimento que o
cinema faz, a ABD expande sua agenda, mantendo
sempre o mesmo compromisso tácito que tem
com seus associados e com sua história,
de alastrar a atuação do audiovisual
independente brasileiro, seja para que lado for.
E uma coisa é certa: o futuro
da ABD é bem maior do que o seu passado.
Diretoria da ABD Nacional Gestão
2005-2007

Jornada
da Bahia, 1979. Oswaldo Caldeira, Sílvio Da-Rin
e William Cobbett |

No fundo ele é um abedista... |
O 11 de setembro tempo histórico da
idéia de criação da Jornada
-- faz parte do calendário de 1973. Foi justo
no injusto dia da morte de Salvador Allende, presidente
do Chile. Este 11 de setembro -- que ficou inscrito
na memória dos chilenos e dos abedistas históricos
-- serviu de matéria-prima a belo curta-metragem
de Ken Loach (parte do filme 11 de Setembro, 11 Minutos,
09 Segundos e 01 Imagem).
Após a reunião ocorrida sob o impacto
da morte de Allende, o projeto ABD transferiu-se
para a Cinemateca do MAM-Rio, tendo Cosme Alves Netto
como seu articulador. Diretoria (de caráter
provisório) cuidou de organizar as primeiras
eleições oficiais. Levando em conta
a disputa (subterrânea, que parece durar mais
de três séculos) entre cariocas e paulistas,
definiu-se que haveria rodízio (entre os dois
estados integrantes do influente eixo cinematográfico)
no comando da ABD.
O primeiro presidente eleito foi o paulista (carioca
de nascimento, infância e juventude!) Aloysio
Raulino. Depois, na segunda gestão, o presidente
seria o carioca (mineiro de nascimento!) Oswaldo
Caldeira. A idéia, porém, não
vingou. A ABD foi-se tornando cada vez mais carioca.
Em 1979, Brasília sediou o nascimento do Conselho
Nacional das ABDs. Em 1993, a fórmula seria
aperfeiçoada pela criação da
ABD Nacional. E assim se passaram os anos.
Maria do Rosário Caetano (MG, 10/06/1955) é jornalista,
formada pela UnB (Universidade de Brasília)
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